Eu tô ansioso.
Acordei várias vezes ansioso hoje, eu tinha uma entrevista de emprego em inglês e um almoço com a minha amiga. Eu consegui fazer a entrevista e ir pro almoço sem muitas complicações, mas mesmo depois desses dois compromissos eu continuo ansioso.
Uma pessoa muito interessante que estou conhecendo me recomendou o álbum Esquinas de ANAVITÓRIA, e apesar do gênero delas não fazer meu gosto preferido, teve uma música que me chamou atenção.
No puedo darte un amor
Como el que tú esperas
Deja de esperar, mi amor
Lo estás esperando y sé que te desespera
Deja de esperar, mi amor
Você merece alguém que sinta o coração na ponta da língua Segundos antes de te encontrar, e eu não sinto nada Não sinto nada, não sinto nada Meu corpo inteiro no mesmo lugar
Nenhuma movimentação interna ou frio na espinha Borboletas, libélulas voaram pra lá E as minhas mãos tão secas me alertam pro que eu já sei Eu sei que cê sabe também
Não posso te dar o amor que você espera Não posso te dar amor, não Eu não tenho pra te dar o amor que você tanto espera Para de esperar, então Eu não posso te dar o amor que você espera Não posso te dar amor, não Eu não tenho pra te dar o amor que você tanto espera Para de esperar, então
(Então, para de esperar o, o meu amor)
(E, na segunda parte, deixa de esperar o meu amor)
(O meu amor deixa de esperar)
(Vocês entendem?)
O álbum feito exclusivamente de cantigas de amor, incluindo essa, que é uma música de amor próprio. E quero que mais obras artisticas abordem esse tema, para que o mito do conto de fadas deixe de ser sempre o “felizes para sempre” que nos ilude a sofrer e nos doar mesmo quando não há nada ali, nada que valha ser doado.
Para que a gente saber que existem horas de tentar e a horas de deixar de tentar.
Eu também li no blog do XKCD o quão matematicamente impossível é o conceito de alma gêmea, a versão curta dessa conta é uma citação que gosto muito “Se alma gêmea existe ela é estatisticamente Chinesa ou Indiana”, a leitura completa vale muita a pena, o post é esse: https://what-if.xkcd.com/9/
No final, o autor, Randall Munroe cita Tim Minchin, e eu não consegui esquecer esse verso desde então
With all my heart and all my mind I know one thing is true: I have just one life and just one love and, my love, that love is you.
And if it wasn’t for you, baby, I really think that I would have somebody else.
Esse é o final da música, o verso do refrão também é muito bom
If I didn’t had you somebody else would do
Engraçado, eu fui ver o material original pra poder citar aqui, e percebi que é bem uma peça humorística, e como tal eu nem achei ela tão boa, deve ser por ser algo não tão novo e isso, e o ritmo das produções de hoje em dia é bem diferente, tem o valor do seu tempo e contexto. Alguém que faz isso muito bem hoje em dia é o Tom Cardy que eu recomendo muito.
Dito tudo isso, a primeira vez que eu li, lá no post como uma citação do Randall isso me tocou como uma poesia, pra mim isso era um poema, e faz mais sentido como tal. Quero tentar escrever algo assim, nesse tom e tópico.
Infelizmente não sei escrever poemas, quem sabe um dia, ou quem sabe eu não escreva algo diferente, que eu saiba escrever.
Tenho lembrado dos meus últimos amores, e a sensação de rejeição machuca um pouco, tenho amigas e amigos sofrendo por pessoas que passaram pela vida delas também. É isso, amar é se vulnerabilizar.
Quando o eu lírico da canção de ANAVITÓRIA diz: “Eu não tenho pra te dar o amor que você tanto espera Para de esperar, então” é muito poderoso, o hábito de só deixar a pessoa sem resposta é muito escroto, e as vezes nem isso acontece, existem pessoas que mantém um canal só para terem a chance de terem o ego delas massageado.
Vou tentar sintetizar tudo isso
Eu quero aprender a amar e a deixar de amar, a deixar livre, e a se deixar livre, a poder aprender a ser saudável, e fazer isso enquanto não deixo de viver, quero ter a paz, não me sentir inútil, construir algo de que me orgulho, viver minha identidade, no meu conforto, fazer da minha morada meu lar, apreciar minha solitude e minha companhia, caminhar, correr, dançar, cantar, gritar, quero ter a paz de saber que pra amar eu preciso me expor, e que me expondo, eu posso acabar tendo que tomar decisões difíceis, me retirar dos lugares onde eu não pertenço, e entender que os outros podem fazer o mesmo. Eu quero aprender. a amar e a deixar de amar.