Escrevemos porque queremos ser vistos, por que queremos ser amados.
Eu li A gente mira no amor e acerta na solidão de Ana Suy hoje, li metade do livro
E eu me peguei tendo aquela sensação de que eu já sei o que está descrito no livro, o que é uma armadilha.
Você já teve essa sensação? Escutar um conhecimento e pensar “Isso é óbvio” ou “Eu já sabia disso”, isso acontece muito comigo, e de frente com essas indagações eu encontrei paz no pensamento de que, “Ás vezes, a gente precisa reouvir coisas que a gente já sabe pra gente relembrar”.
Porém, hoje, me deparando com essa sensação de novo, e percebendo como eu não coloco esse conhecimento em prática nas minhas atitudes e pensamentos, só esse conforto de reouvir para relembrar não basta.
Na verdade, talvez eu nem saiba isso de verdade, prova viva é as situações recentes, talvez eu fique só com o conforto de “Ah, eu já sabia disso, estou relembrando” e nunca tenha aprendido isso de fato. Talvez eu possa já ter ouvido, mas nunca exercitado, o que no final das contas não é aprender.
Então, eu estou me colocando contrário a esse pensamento, não me conformar mais com o “Ah, eu já sei isso”, pelo menos não na primeira mão, não sem exercitar antes.
Mas agora eu me coloco de novo em outro conflito, como exercitar essas coisas que não têm hora pra vir? Como o luto de um amor? Talvez a resposta seja estar periodicamente estudando sobre o assunto, para quando fatidicamente a situação vir, a gente esteja preparado.
Eu tô gostando muito de ler o livro, consigo me identificar melhor com a Ana Suy do que com a Tudo Sobre Amor da Bell Hooks, dado que ela é uma autora brasileira e o livro é uma publicação recente, ela traz versos do cantoneiro popular brasileiro entre os estudos sobre amor, muito bom pra localizar nossos mitos construídos sobre o amor.
Eu anoitei um trecho do livro, começa com uma citação de Ana Suy de Freud:
Encontrar a infelicidade no amor é muito mais fácil que encontrar a felicidade, assim, seguimos interessados e encantados pela experiência amorosa, mas muito desengonçados ao vive-la.
O livro trabalha essa questão de como a solidão e o amor se intercedem, e não existem sem o outro, isso me trás uma paz, especialmente a frase acima. Esse livro tem várias frases e conhecimentos que valem a pena o destaque. Só não destaquei mais por estar ouvindo o livro enquanto caminhava.
Em um capitulo ela também destaca como quando um amor acaba temos a tendência a ficar frustrados não só porque o amor acabou, mas por reconhecer que para chegar naquele momento do termino aquele amor já havia acabado, e criamos um luto não pelo amor que acabou, mas pela fim daquela imagem falsa de amor. Aqui estou falando exclusivamente do amor com o outro, e não do amor próprio.
Existe essa ideia de que o amor é infinito, e isso é mito, e esse mito popular, quase uma lavagem cerebral com os contos de fadas e os felizes para sempre, influencia nas nossas interações com os limites próprios e do outro, o que é muito cruel. Tanto esse mito quanto a monogamia tem intrínseca ligação com a colonização, exploração, e o controle da população, eu não sou a melhor pessoa para explicar isso, então deixo essa conversa para outra oportunidade.
Dada essa imagem de um amor infinito, quando ele acaba, pra nós, é mais fácil imaginar que nunca houve amor, do que o seu fim, por isso tantos términos acabam em brigas, em ódios, em frustrações, falo para além dos casos em que a masculinidade tóxica está presente.
Ana diz que o desamor ocupa o lugar do amor em vez de lugar para o espaço de amor no passado, é mais normal dizer “eu odeio” ao em vez de “eu amei” as pessoas com quem terminamos.
Nas minhas últimas relações, em algumas em que eu rejeitei a relação, eu percebi esses momentos de inversão, em que o amor se transformava em ódio, percebi que para algumas pessoas, essa é a forma mais fácil de passar pelo término. E se a pessoa precisa me odiar para poder passar por aquilo, tudo bem, eu não ligo.
Eu sofro com rejeições, tenho uma alta dependência de validação dos outros, mas eu também passo pelas minhas fases de luto quando termino uma relação, uma delas é o ódio, e às vezes esse ódio se personaliza na outra pessoa sim, mas é interessante perceber tudo isso.
A autora também comenta sobre como nós sempre vamos nos sentir sós, é uma condição natural, independentemente se estamos de fato sós ou não, mesmo acompanhados nos sentimos sós. Esse trecho é muito bom, recomendo.
Eu estou me sentindo só, mesmo estando acompanhado. E logo antes de ler o livro, eu fiz esse exercício de olhar pras minhas últimas relações e sentir que eu não amava essas pessoas, mesmo eu acreditando que amava elas. Ler esse estudo ao mesmo tempo que percebo isso gera um sentimento misto, um pessimismo com otimismo.
Eu ainda tenho mais o que escrever sobre esse livro, e desenvolver o parágrafo que escrevi acima, mas agora tá tarde e eu estou tentando dormir cedo, inclusive, teve um dia que eu dormi super cedo e acordei bem cedo, fiquei feliz. Também estou dormindo sem usar telas, tô orgulhoso.
Olha que engraçado, esse livro estava na minha lista para ler e eu ainda não havia lido ele porque foi uma pessoa por quem eu tinha muitos sentimentos que me recomendou ele, e eu não estava pronto pra ler ele, até agora.